Muita coisa mudou desde o último show de Wanessa Camargo em Manaus. De lá para cá, ela viu mudanças na vida pessoal, com o nascimento dos dois filhos, e uma reviravolta na carreira. A cantora que fazia o público dançar com “Shine it On” e “Sticky Dough” ainda está lá, mas a Wanessa que retornou à capital amazonense para um show na Festa das Patroas tem um repertório bem sertanejo, que de certa forma, é um retorno às origens da “neta de Francisco”.

Wanessa conta que juntar os mais de 15 anos de carreira em um show voltado para os fãs do sertanejo deu um certo nervosismo, mas o resultado foi positivo.

“A gente conseguiu achar um show bem eclético, mas gostoso, não sei explicar como. [Experimentamos] a primeira vez em Belo Horizonte e foi um resultado excelente de resposta da galera do meio e do público. Vi muita gente falando que não esperava que o show fosse tão legal. Dá um nervoso, porque a gente monta [o show] com todo o carinho”, afirma.

No show, hits como “O Amor Não Deixa” e “Amor, Amor” e canções novas como “Coração Embriagado” e “Anestesia” se juntam a covers de clássicos do sertanejo e sucessos pop. Wanessa garante que essa mistura de ritmos sempre deve acompanhá-la.

“Sempre vai ter um resquício pop, porque são duas influências muito grandes na minha vida. Eu sempre gosto de misturar. Eu uso às vezes uma batida de reggaeton. A latinidade é muito interessante para mim. Eu uso muito as cordas que tem [uma sonoridade] diferente do sertanejo. Tudo misturado me encanta”, resume.

E o “feminejo”?

Com a propriedade de alguém que cresceu no meio sertanejo e 17 anos de carreira, Wanessa vê com otimismo o sucesso do “feminejo”. Na Festa das Patroas, inclusive, ela dividirá os holofotes com outras estrelas do segmento, como Paula Mattos, Marília Mendonça e a dupla Maiara e Maraisa.

A relação entre elas é de muito coleguismo, diz Wanessa. A cantora comemora a presença de mulheres fortes em um ritmo antes dominado por homens, com sucessos pontuais como a compositora Fátima Leão, os grupos As Mineirinhas e Irmãs Galvão e a cantora Roberta Miranda. “O sertanejo sempre foi muito machista, sempre esteve muito focado no homem cantando as músicas escritas, muitas vezes, por mulheres como Fátima Leão. A diferença de hoje é que, quando surgiu a Paula [Fernandes], outras [cantoras] tiveram espaço para aparecer”, avalia.

A dona do sucesso “Amor, Amor” acredita que o feminejo esteja longe de ser uma “moda” e que as estrelas que vem surgindo tenham conteúdo para ficar. A boa relação com as outras cantoras sertanejas, aliás, é defendida por Wanessa, que se considera feminista. “Toda mulher que opta por olhar de igual para igual o mundo é feminista. A mulher que decidir o que ela quer ser, fazer o que ela quer fazer… A gente tem que agradecer muito a outras mulheres que queimaram sutiãs e que tiveram que brigar pelo direito de votar e de ter a palavra”, sintetiza.

Quando se apresentou em Manaus pela última vez, Wanessa estava grávida. O show foi em uma boate. Agora, ela cantará para um público maior, no Sambódromo, canções bem diferentes do pop em inglês dos discos “DNA” e “Meu Momento”. Ainda assim, a forma com que a cantora tem encarado os novos desafios tem rendido a ela bons frutos.

“É um show bem animado, com momentos escolhidos a dedo para as pessoas lembrarem do amor, beijar na boca, olhar para alguém e falar ‘te amo’. É um show muito gostoso de fazer. Quando você se diverte no seu show, a chance de dar certo é muito grande”, finaliza.

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