Homenagem: Música baiana não seria a mesma sem Ademar e a banda Furta Cor

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A coluna Saca o Som dessas próximas semanas vai contar a história de um dos maiores músicos, arranjador, produtor e diretor musical que a Bahia já conheceu, Ademar Andrade.

Para os mais jovens, talvez esse nome não signifique nada, mas para quem viveu intensamente os carnavais da década de 1980 e presenciou o nascimento da Axé Music, sabe que a música baiana jamais seria a mesma sem a influência de Ademar e da banda Furta Cor.

Para se ter uma ideia, até o início dos anos 80, a música executada no Carnaval de Salvador era basicamente o frevo pernambucano eletrificado pela guitarra baiana, instrumento criado pela dupla Dodô e Osmar, na década de 1940, com o nome de “Pau Elétrico”, e que predominou por anos na folia baiana.

Entretanto, uma nova geração de músicos e donos de blocos começavam a ocupar, literalmente, os espaços da avenida do Carnaval de Salvador. Era a geração de meu pai, um verdadeiro apaixonado pela folia momesca, envelhecendo e dando lugar a uma galera nova que buscava ouvir outros ritmos durante os dias de festa.

Nessa época, alguns blocos, como o Papa-Léguas, já contratavam bandas baile (aquelas que tocam de tudo um pouco) para o Carnaval. Uma delas foi a Made in Bahia, de propriedade do empresário Orlando Serravale, que se apresentara no ano de 1983, sob o comando do tecladista Ademar Andrade.

“A gente chegou na rua e não sabia o que fazer. Ninguém tocava guitarra baiana, ninguém sabia as músicas de Moraes Moreira. A gente era uma banda baile. Então, o que fizemos? Um grande baile nas ruas de Salvador”, revela Ademar.

Oriunda da cidade de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador, a banda Made in Bahia conquistou os foliões com um jeito novo de fazer Carnaval. O sucesso foi tanto que Ademar Andrade, durante o ano de 1983, iniciou o projeto de montar um grupo para tocar na festa do ano seguinte. Nascia aí, a banda Furta Cor.

Formada por Ademar Andrade (voz, teclados e direção musical), Waldyr Sassaru ” Batera” (bateria), Toinho (guitarra), Robinho (guitarra baiana), Vaquinha (baixo), Joãozinho, Zé Honório e Lennah (vocais), a Furta Cor já inovava com três cantores fixos, além de Ademar que também cantava algumas músicas.

Com essa formação e com uma ajuda “divina” do dono da empresa de sonorização Propago, João Claudio Oliveira, A Furta Cor, puxando o bloco Papa-Léguas, emplacou três hits no Carnaval de 1984, Mensageiro da Alegria (Gerônimo), Cometa Mambembe (Carlos Pitta/Edmundo Carôso) e Amar Quem Eu Já Amei (Zé Ramalho). “A ideia de fazer da avenida um grande baile continuou com a Furta Cor. Naquela época, também tocávamos os grandes sucessos da Blitz, Lobão, Fagner, entre outros”, lembra Ademar Andrade.

Poucas pessoas sabem, mas, foi a partir desse Carnaval que a música baiana começou a se modificar. Ademar Andrade, por ser um exímio músico, deu destaque ao teclado nos arranjos e nos solos das canções, deixando a guitarra baiana, até então soberana, em segundo plano. Além dele, outros competentes tecladistas como Zé de Henrique (Cheiro de Amor), Luizinho Assis (Gerônimo) e Alfredo Moura (Luiz Caldas) também foram responsáveis por forjar a sonoridade da primeira fase do que mais tarde viria se chamar a Axé Music, alcunha dada pelo jornalista baiano Hagamenon Brito.

Por: Maurício Matos é jornalista e roqueiro das antigas.

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