Edigar Junio comemora o segundo gol do tricolor

Era uma decisão. Não entre super times sedentos por um título, mas entre equipes meia-boca querendo fugir do rebaixamento. Ainda assim, estava valendo, principalmente para os mais de 30 mil tricolores que comemoraram o triunfo por 2 a 1 no Ba-Vi com torcida única na Fonte Nova.

O gol de Edigar Junio aos 43 minutos do segundo tempo mandou o Esquadrão para o 12º lugar no Brasileiro, cinco pontos à frente do rival, agora o 17º, dentro da zona da degola. O Vitória tenta deixar a posição incômoda na próxima rodada, na qual recebe o Atlético-GO no domingo, às 17h. Mesmo dia em que o Bahia, às 16h (da Bahia), visita o Fluminense.

Cenário óbvio

Dos cenários possíveis do clássico, um dos mais óbvios permeou o primeiro tempo: Bahia tendo iniciativa (com 67% de posse de bola) e Vitória fechadinho, esperando uma chance de partir no contra-ataque. Isso é o básico, mas faz-se necessário pontuar que os dois times ficaram devendo muito futebol nos 45 minutos iniciais. O Esquadrão esteve sem inspiração. As arrancadas de Mendoza e Zé Rafael mostraram-se inócuas e o desempenho do armador Allione, no lugar do machucado Vinícius, ficou muito aquém do que se poderia esperar. O resultado foi uma produção escassa, com apenas duas finalizações, apesar do domínio territorial.

O Bahia também sofreu com o elevado número de faltas cometidas pelo rival, e tinha várias jogadas promissoras interrompidas desta maneira. Foram 13 infrações do Vitória contra apenas três do Tricolor na etapa inicial. Três rubro-negros foram advertidos, enquanto Mendoza (suspenso da próxima partida) levou o único amarelo do Bahia.

O jogo deixou a desejar em emoção e os pelos dos torcedores só foram levemente eriçados nos minutos finais. Aos 35, David provou que a estratégia do Leão de explorar a transição rápida nos contragolpes era uma boa pedida. Ele recebeu na esquerda, arrancou e chutou de canhota para acertar o lado de fora da rede.

O curioso é que o Bahia, dono da bola, respondeu na mesma moeda. Aos 42, Mendoza, acionado em contra-ataque, atrapalhou-se na hora de dominar a bola, mas conseguiu finalizar. Caíque defendeu.

A chance de o tempo complementar seguir com o mesmo ritmo da etapa inaugural era grande, mas um lance atípico com um minuto de bola rolando mudou tudo. Zé Rafael errou ao tentar passe mais incisivo, porém, contou com a sorte. E com a infelicidade de Wallace, que cortou mal a bola e deixou o oponente Mendoza na cara do gol. Ele não desperdiçou a oportunidade, assumiu a artilharia isolada do Bahia no Brasileiro, com seis gols, e deixou o time em condição confortável na partida.

Já o Rubro-Negro se viu obrigado a buscar a imposição de jogo. Assim, passou a dar brecha para a velocidade do rival, que contava com o dia inspirado de Mendoza. Aos 12, o colombiano roubou bola no meio-campo, tabelou com Edigar Junio e chutou por cima. A resposta do Vitória, quatro minutos depois, veio num vacilo feio de Edson, que perdeu a bola na entrada da sua área de defesa para David. Ele bateu forte e acertou a trave.

Neste momento, o Leão tentava encurralar o Bahia, que, aos 20 minutos, trocou Allione pelo zagueiro Thiago Martins. Aos 26, Tréllez ganhou de Tiago e seu toque sutil para tirar de Jean quase encontrou a rede. Parecia o começo de uma pressão rubro-negra, porém, o Esquadrão conseguiu um alívio aos 29, quando Eduardo chutou, a bola desviou em Wallace e quase traiu Caíque, que operou um milagre.

Enquanto se encaminhava para o fim, a partida ia ficando cada vez mais tranquila para o Bahia. No entanto, o Leão acabou chegando à igualdade em um lance tão casual quando o do tento de Mendoza. Aos 37 minutos, Cleiton Xavier cobrou escanteio, Jean saiu em falso, a bola bateu em Renê Júnior e sobrou para Wallace, que redimiu-se da falha no gol do Bahia ao marcar.

E aí, armado com três zagueiros para segurar a vantagem, como o Tricolor iria se mandar à frente para buscar o triunfo? A resposta veio aos 43 minutos. Régis fez jogadaça e deixou Edigar cara a cara com Caíque. O arqueiro rubro-negro evitou parcialmente o gol, que sairia na cobrança do escanteio com o mesmo Edigar, aproveitando desvio de Edson no primeiro pau. Delírio tricolor na arquibancada e tranquilidade na classificação.

Compartilhar